
Não sabia bem o porquê, mas quando o dia era frio e o Sol se exibia elegante no céu, nem precisava chover para seus olhos esperarem as cores do arco-íris.
Sua avó costumava dizer que eles apareciam no céu como um sinal de Deus, algo para nos lembrar que a alegria dos dias de calor voltaria sempre.
Na sua imaginação de criança, entretanto, o arco-íris era uma espécie de ponte, que levava os corajosos até Deus... Ah, toda aquela beleza só poderia ser uma premissa do paraíso!
Era um alvoroço toda vez!Saía correndo feito maratonista profissional!
Embrenhava-se no mato e acabava por se perder algumas vezes, mas não desistia!Nunca desistia! Corria porque toda vez que um de seus pés afundava na terra úmida e a impulsionava para frente, sentia-se mais perto de qualquer coisa!Naquele desafio, qualquer passo dado era melhor do que ficar parado, e como se não fosse ilusão... Como se pudesse mesmo alcançá-lo... Colocava toda a sua velocidade nos pés.
Com os olhos sempre focados no arco, lutava contra o Tempo, o seu maior concorrente em todas as corridas que fazia. Nessa, por exemplo, ele estava sempre um passo à frente.
Enquanto corria, sentia que o Tempo, em uma estratégia desonesta pela liderança, ia apagando aos poucos o arco. Nunca conseguiria vencê-lo, ela sabia disso! A menina, porém, era a medalha de prata mais conformada e feliz do universo, tinha certeza! Quando finalmente o Tempo já levara todas as cores, a menina ofegante, com as mãos apoiadas nos joelhos, sentia que havia atingido o seu objetivo.
No fim do arco-íris, não encontrara nenhum semblante para admirar... Não havia nenhum velho barbado sentado em um trono de ouro também. Mas havia um coração pulsante e sangue quente correndo por todo o seu corpo... Havia bochechas rosadas e uma alegria tão intensa, que se pudesse escolher um nome... Chamaria, certamente, de algo parecido com Deus!






