sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ana e o paciente Espantalho.



É ruim viver sozinho. Solidão é uma coisa que aperta o nosso coração, faz toda a nossa água sair pelos olhos até a gente ficar seco por dentro._ Constatou a menina observando os olhos de botão do espantalho. _ O senhor precisa mesmo se tratar, é uma doença gravíssima. _ Apertou seu estetoscópio de plástico no peito do boneco.
_ Ainda posso ouvir seu coração, mas anda batendo bem fraquinho, como se não existisse. O senhor tem sorte de eu ser uma ótima médica de corações, outros diriam que é um caso perdido._ Guardou seus brinquedos na mochila e virou às costas dizendo_ Preciso ir à escola agora, mas eu volto outra hora, faz parte do seu tratamento.
Durante a aula Ana só conseguiu pensar no seu paciente espantalho e em como era triste ele passar o dia de braços abertos, esperando um abraço que nunca chegava. O coitado não tinha como amigo nem os corvos que fazia questão de espantar. Para falar a verdade, Ana até o admirava por isso. Os colegas de classe eram como os corvos, a diferença era que no lugar de bicadas ela recebia piadinhas e boladas de papel na cabeça, além de não conseguir espantá-los de jeito nenhum.
O segundo tempo era a aula de religião, que Ana não gostava nem um pouco. Sempre acabava dormindo em alguma parte, mas naquele dia ela não sentia nem um pouco de sono, o que a obrigou a prestar um pouco de atenção. E não é que o homem de quem a professora sempre falava se parecia muito com o paciente de palha? Era uma pessoa boa e estava sempre de braços abertos. Sendo que em certa parte da história ele volta à vida, ao invés de ficar morto e sozinho.
Aquele pensamento foi como um estalo na mente de Ana! Ela precisava fazer o espantalho renascer. Mas como? Do jeito que o coração dele estava seco, nem mergulhá-lo numa piscina resolveria o problema.
Logo que o sinal bateu, Ana correu para casa. Cumprimentou os pais com pressa e subiu até seu quarto saltando alguns degraus. Abriu um baú e tirou de lá retalhos e mais retalhos, tintas coloridas e um bocado de acessórios. Antes de sair se olhou no espelho e sorriu, pintou de um rosa bem claro a sua boca em formato de coração. Saiu de casa sem se despedir. Correu até o campo com os braços abertos e a bolsa de retalhos em uma das mãos. Abraçou bem forte seu amigo espantalho e disse:
_ O senhor nunca mais vai estar sozinho no mundo, porque agora eu vou ser sua amiga e a partir de hoje,nós dois seremos pessoas novas!_ disse isso enquanto colocava um novo chapéu de palha no boneco e pintava com tinta vermelha um lindo e enorme sorriso.

Na percepção de Ana, o mês de junho costumava ter cheiro de mato queimado, mas desde que se tornara uma nova pessoa, era mais fácil para ela perceber o cheiro das azaléias. O novo sorriso do Espantalho fez com que ele ganhasse alguns novos amigos, entre eles bem-te-vis e sabiás. Ana também conheceu alguém nas férias de inverno: João, que adorava a boca de coração cor de rosa da menina e a forma como ela fechava os olhos quando uma brisa leve lhe trazia o cheiro das azaléias.

13 Coelhos na cartola.:

  1. Que lindo, que lindo!

    Sabe que até algumas lágrimas rolaram dos meus olhinhos... *-*

    Agora todo vez que eu vi alguém de braças abertos não vou deixar seu abraço vazio ^^

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  2. Lindah, tão linda!
    te amo tanto...
    ficou mt bonita mesmo essa...
    vc só melhora einh
    qual a próxima?
    te amo!
    bjos

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  3. Uow, mas que coisa mais linda e mais cheia de graça esse texto.. adorei
    beijones.

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  4. ainda bem que tenho olhos que não são de botão, e que ficam líquidos diante de tanto encanto !!!!

    beijocas carinhosas

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  5. Se Ana
    Quase insana
    Faz um amigo espantalho
    Não é pra quebrar o galho
    Quem julga se engana
    É para tirar o curinga do baralho
    Ou macaquinhos do sotão
    Diria o menino maluquinho
    E muitos não gostam
    Acham vão
    Na solidão eles apostam
    Mas Ana é diferente
    Ela saber fazer do monólogo
    Repente
    E o diálogo
    Vai nus crescente
    E a menina
    Refaz a sina
    Desatina
    Num carinho insistente...

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  6. *-*

    Que orgulho!!
    caprichou nesse pretita.. s2

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  7. Me lembrou um vídeo da Vanessa da Mata da música 'Não me deixe só"

    :)

    Bonito! Bonito!

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  8. Thainá, é sua a autoria do texto? Só posso dizer que sua Dra Ana é encantadora, bem como o paciente dela. Se o texto é de sua autoria, eu quero que saiba que fiquei muito comovido com sua criação, pois também crio alguns textos e personagens e sei como é gratificante quando possui vida o que criamos. Penso que já tive essa sorte alguma vez. (sorrio). Parabéns pela postagem!

    Abraço do Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

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  9. Sabe que ontem eu fui numa loja e, entre os móveis que estavam para vender, tinha uma menininha de patins, andando para lá e para cá, falando sozinha. Acho que era filha do dono. A mocinha do caixa comentou que, às vezes, pergunta para ela 'com quem você está falando?' e ela responde 'com o computador', ou 'com o guarda-roupa' ou 'com a mesinha de telefone'.

    Quando a gente é criança, talvez, seja mais fácil encontrar companhia. :)
    Lindo texto, esse seu!
    beijoca!

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  10. Belíssimo!
    Perfeito em cada detalhe!

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  11. Tudo aqui é tão mágico!
    Apesar dos teus poucos textos (li todos e fiquei com gosto de "quero mais"!), deu pra perceber tua sensibilidade com o mundo a tua volta.
    Ai, eu quero mais! :)
    Ah, encontrei teu blog na comunidade do Jornal das pequenas coisas.

    Beijo no ombro.

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  12. Nossa,..me amarro em blogs que possuem contos tb e não somente aquela já manjada fórmula de escrever sobre o dia a dia, e a sua narrativa é bem leve e defácil leitura. Muito Excelente!
    Parabens!
    Volto aqui!

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Sopre aqui suas palavras mágicas! :D