quarta-feira, 24 de junho de 2009

O moço que falava com passarinhos.


Toda noite, Eduardo chegava do trabalho cansado e precisando conversar...
Seus pais, sem tempo para ouvir suas divagações ao telefone, insistiam pra que ele ocupasse com alguns amigos, o espaço vazio do seu apartamento.
"Faz uma festa, meu filho... Traz seus amigos, arruma de conhecer umas moças bonitas!"... Sua mãe não entendia que os amigos da infância, agora já eram homens feitos, com suas famílias e empregos... Poucos eram os que tinham tempo de prosear, gastar horas e horas com conversa fiada, de papo para o ar! Também não entendia que as moças não apareciam num passe de mágica, como que num sopro! Ele até gostaria que elas viessem assim, pelo vento! De asas abertas... Voando em suas direção!

Até imaginou sua “amada alada”, entrando pela janela,linda, e repousando ao seu lado no colchão. Sentiu orgulho da idéia bonita que criara sobre o amor... Até que nesse mesmo cenário, viu uma estranha possibilidade invadir sua mente, tinha a impressão de que havia chegado à solução para os seus problemas...


Um Canário!

Como não pensara nisso antes?
Ele compraria um canário e seus dias teriam um pouco mais de cor... Foi exatamente o que ele fez: comprou um canário e o batizou de Agnes, gostou do nome tão rápido quanto do bichinho, os dois tinham a ver com pureza e otimismo... Tudo o que ele mais procurava!

Toda noite, Eduardo chegava do trabalho cansado e precisando conversar...
Agnes o esperava na varanda... Ouvia suas histórias e as transformava em melodias doces.

Eduardo era mais feliz agora... Seu coração sabia cantar.


( Foto por: Marcelle Cristhi)


8 Coelhos na cartola.:

Thaís Butterfly εїз disse...

sabes que sou tua fã!

Amei o texto, como sempre doce e falando sobre o amor ^^

Marcos Vinícius L. de Almeida disse...

Se eu fosse esse moço, virava passarinho... e ia cantar dentro da gaiola com Agnes...

Marcelo disse...

Muito bom, Anitha!

É um bom começo pra quem precisa conversar ou, ao menos, exprimir tudo o que vem à mente, como nós aqui, em nossos blogs.

Parabéns! Beeeijo!

Eduardo Trindade disse...

Ah!...
Eduardo, quem diria!
Adoro quando me surpreendes com teus textos...
Eu lembrei de quando éramos crianças e tínhamos em casa uma caturrita (que vocês chamam de maritaca). Eu adorava aquela avezinha, ela ficava horas no meu ombro... Sabia umas palavras, e o melhor é que não vivia confinada numa gaiola.
Abraços!

Meire disse...

Muito bacana o texto! :)
Sempre tive vontade de ter um animalzinho, eles nos entendem, nos alegram.
Já tive gato, peixe, coelho, cachorro..o gato foi o que mais tempo viveu comigo, era muito inteligente, e sinto muita falta dele!
Mas aqui em casa não dá pra criar muito bem, sabe..além de meu pai não gostar muito de bicho.
A última tentativa foi uma cachorrinha, era linda, e esperta, mas meu pai mandou que eu devolvesse. =/
Mas quando eu tiver a minha casa, tudo mudará!!!

:)

ah! E volte siiim!

Salve Jorge disse...

Conte ao passarinho
Que canta
E a beleza será tanta
Que não me espanta
Se até sozinho
Cantares também
Mais além
Um cadinho...

Marcelo disse...

Seria ótimo transformar aquele poema em música, mas é muito difícil fazê-lo. Quem sabe um dia eu consiga!

Esqueci de dizer que seu texto anterior (Diálogo em movimento) é um dos melhores que já li em minha vida (sem exageiros)! É o conflito "simples" entre amor e paixão! As relações que se cruzam e não funcionam se explicam assim.

Theo Moura disse...

Obrigado pelo singelo comentário.
Li aqui e gostei tb..
Se quiser trocar links, seria um tanto qto legal pra nossos blog.
Beijos